B91 ou B31: por que o código do benefício muda a sua ação trabalhista
Fabrício Avidago Paulo, OAB/SP 251.570Atualizado em 4 min de leitura

Em resumo
B91 é o benefício por incapacidade acidentário: indica que o INSS reconheceu a relação entre a doença e o trabalho. Ele garante 12 meses de estabilidade depois da alta e o recolhimento do FGTS durante o afastamento. B31 é o benefício comum, sem esses efeitos. Quando a doença tem relação com o trabalho, é possível pedir a conversão de B31 em B91.
Bancário afastado: o código do seu benefício do INSS pode mudar o rumo da sua ação trabalhista. B91 ou B31 parece detalhe de carta de concessão, mas a diferença entre os dois define estabilidade, FGTS e a força do pedido de indenização.
O que cada código significa
- B91 é o auxílio por incapacidade temporária acidentário. Ele guarda relação com o trabalho: é como se o INSS reconhecesse que a doença veio da atividade.
- B31 é o auxílio por incapacidade temporária previdenciário, o comum. Ele não liga a doença ao trabalho.
O que o B91 garante
- Estabilidade de 12 meses no emprego, contados da alta (Lei 8.213/91, art. 118).
- FGTS recolhido pelo banco durante todo o afastamento (Lei 8.036/90, art. 15, §5º).
- Um ponto de partida mais forte para pedir indenização por dano moral e material, e pensão se houver redução da capacidade de trabalho.
E se o benefício saiu como B31?
Calma. Se a doença tem relação com o trabalho, você pode pedir a conversão do benefício, no INSS ou na Justiça.
Para os bancos, a lei facilita essa prova. O nexo técnico epidemiológico (Lei 8.213/91, art. 21-A) presume a relação com o trabalho quando o diagnóstico é estatisticamente frequente na atividade da empresa. Vários transtornos mentais e lesões por esforço repetitivo entram nessa presunção para o setor bancário. Nesses casos, quem precisa provar o contrário é o banco.
A CAT não depende do banco
A Comunicação de Acidente de Trabalho deveria ser emitida pela empresa. Quando ela não emite, a lei autoriza que o próprio trabalhador, os dependentes, o sindicato, o médico ou uma autoridade pública o façam (Lei 8.213/91, art. 22, §2º).
O nexo técnico epidemiológico
Para o setor bancário, a própria lei presume a relação com o trabalho em vários diagnósticos, pelo nexo técnico epidemiológico previdenciário (Lei 8.213/91, art. 21-A). É uma tabela que cruza a atividade da empresa com o código da doença: quando o par está na lista, o perito do INSS deve considerar o benefício acidentário, e cabe ao banco provar o contrário. Entre os diagnósticos mais comuns na categoria estão as lesões por esforço repetitivo e os transtornos mentais, como depressão e ansiedade.
Como pedir a conversão
- No INSS: recurso à Junta de Recursos em até 30 dias da decisão, pelo Meu INSS, com os laudos.
- Na Justiça do Trabalho: ela pode reconhecer a doença ocupacional para efeitos trabalhistas (estabilidade, FGTS, indenização) mesmo que o INSS mantenha o B31.
- Na Justiça Estadual: é onde se discute a troca do código do benefício, por ser benefício acidentário (Constituição, art. 109, I).
O que fazer agora
- Localize a carta de concessão e confira o código.
- Reúna laudos, atestados e receitas, com datas.
- Guarde o que mostra a rotina: metas, mensagens de cobrança, jornada.
- Converse com um advogado antes de voltar ao trabalho ou de assinar qualquer documento de desligamento.
Base legal
- Lei 8.213/1991, arts. 20, 21-A, 22 e 118
- Lei 8.036/1990, art. 15, §5º
- Súmula 378 do TST
- Decreto 3.048/1999, art. 305
- Constituição Federal, art. 109, I
Este texto tem caráter informativo e não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso.
Área relacionada
Doença ocupacional e estabilidade
Reconhecimento da doença do trabalho, conversão do benefício, estabilidade de 12 meses e indenização.


